Candidato à presidência critica repasses da entidade máxima e alerta para prejuízos financeiros e técnicos do Flamengo com o novo Mundial.
O cenário político do Flamengo ferveu nesta semana com declarações contundentes de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que não poupou críticas à FIFA em relação aos valores estipulados para a compensação financeira aos clubes que cederem atletas para a Copa do Mundo de 2026. O dirigente e candidato à presidência do clube entende que o montante atual é irrisório diante do faturamento bilionário da entidade máxima do futebol e, principalmente, do risco de lesões e do desgaste físico que os jogadores sofrem ao servirem suas seleções nacionais. Para o Mais Querido, que historicamente é um dos clubes que mais cede talentos para as seleções da América do Sul, a questão ultrapassa o campo financeiro e atinge diretamente o planejamento esportivo da temporada, visto que o calendário brasileiro raramente é paralisado de forma adequada durante os períodos de competições internacionais de grande porte.
O ponto central da indignação de Bap reside no desequilíbrio entre o lucro gerado pelo espetáculo e o que retorna para as agremiações que pagam os salários dos protagonistas. Durante suas recentes intervenções públicas, o dirigente destacou que o Flamengo investe dezenas de milhões de euros anualmente para manter um elenco de nível europeu, e ver esses ativos retornarem desgastados ou lesionados sem uma contrapartida que cubra sequer os custos operacionais do período é inaceitável. A FIFA anunciou um aumento no fundo de compensação para o próximo ciclo, mas, na visão da cúpula rubro-negra, os valores continuam defasados se comparados à inflação do mercado da bola e à intensidade do calendário sul-americano, que exige muito mais deslocamento e esforço logístico do que o cenário europeu, por exemplo.
Contextualizando o momento atual, o Flamengo vive uma temporada onde a profundidade do elenco foi testada ao limite justamente por convocações. Durante a última Copa América, o técnico Tite — e agora Filipe Luís — precisou lidar com ausências sistemáticas de nomes como Arrascaeta, De la Cruz, Varela e Matías Viña, além dos brasileiros constantemente monitorados. Essa sangria de talentos durante o Campeonato Brasileiro gera uma perda de pontos que pode ser fatal na disputa pelo título nacional. Bap argumenta que, ao não remunerar dignamente os clubes, a FIFA ignora o fato de que são as instituições nacionais que sustentam o ecossistema do futebol durante os quatro anos que antecedem o Mundial, arcando com tratamentos médicos, salários e infraestrutura de ponta.
Historicamente, o Rubro-Negro sempre foi a base da Seleção Brasileira e de potências vizinhas. Desde a era de Zico em 1982 até o protagonismo de Pedro e Everton Ribeiro no Catar em 2022, o Manto Sagrado sempre esteve representado nos maiores palcos do mundo. No entanto, o futebol moderno exige uma gestão financeira muito mais agressiva. Em 2019 e 2022, anos de glórias eternas com as conquistas da Libertadores, o clube sentiu o peso de ter seus principais jogadores viajando por semanas. Comparando com o cenário europeu, clubes como Manchester City e Real Madrid recebem fatias maiores da FIFA devido ao câmbio e acordos de ligas mais fortes, o que gera uma desigualdade competitiva global que o Flamengo, sob a visão de Bap, pretende combater liderando uma coalizão de clubes sul-americanos.
Os impactos dessa postura crítica podem definir os próximos passos da diplomacia do Flamengo no cenário internacional. Se eleito, Bap promete endurecer o discurso junto à CONMEBOL e à ECA (Associação de Clubes Europeus) para que o Mundial de Clubes de 2025 e a Copa de 2026 tenham modelos de negócio mais justos. O objetivo é garantir que o Urubu não seja apenas um fornecedor de entretenimento para a FIFA, mas um sócio do lucro. Além disso, há uma preocupação latente com a integridade física: um jogador que volta lesionado de uma Copa do Mundo pode representar um prejuízo técnico irreparável para o restante da Libertadores, competição que é a obsessão da Nação e que define o sucesso financeiro do clube no segundo semestre.
Em última análise, a fala de Bap ecoa o sentimento de uma torcida que já se cansou de ver o time desfalcado em momentos cruciais por conta de datas FIFA mal geridas. O Flamengo hoje é uma potência econômica que fatura acima de R$ 1 bilhão, e o posicionamento de seus líderes deve refletir essa grandeza. O recado foi dado: o Mengão não aceitará mais migalhas de entidades que se enriquecem às custas do suor e do investimento dos clubes brasileiros. A briga por uma compensação justa é, acima de tudo, uma briga pela soberania do futebol nacional e pela proteção do maior patrimônio do clube: seus atletas. O desdobramento dessa pressão política será fundamental para entender como o Mais Querido se portará no mercado e nas competições nos próximos dois anos.
